ADVENTISTAS

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DEUS CRIOU O MAL?

O PROBLEMA DO MAL


1. Uma das passagens mais incríveis da Bíblia é a encontrada no livro de Isaías 45:7:
“Eu formo a luz e crio as trevas, asseguro o bem-estar e a desgraça: sim eu, Iahweh , faço tudo isto”. A Bíblia de Jerusalém.

Vejamos a mesma passagem vertida de outras formas:

“Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas cousas.” Almeida, Revista e Atualizada.

“Eu sou o Criador da luz e da escuridão e mando bênçãos e maldições: eu o Eterno ,faço tudo isso.” A Bíblia na Linguagem de Hoje.


2. Esta passagem tem como correlatas algumas outras , das quais destacamos as seguintes:

“Tocar-se-á a trombeta na cidade, sem que o povo se estremeça? Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?.” Amós 3:6

“Porque é ele quem forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual é o seu pensamento; e faz da manhã trevas e pisa os altos da terra; Senhor, Deus dos Exércitos é o seu nome.” Amós 4:13.

“Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?...” Jó 2:10

3. Quando falamos do Mal, precisamos estabelecer duas distinções, a saber:

a. O Mal moral, isto é, aquele que deriva da vontade pervertida do homem, da desumanidade do homem contra seus semelhantes.
b. O Mal natural, ou seja, os desastres, os dilúvios, os terremotos, os incêndios, os acidentes, as enfermidades e a morte, que é o maior de todos os males naturais.

4. Por que esses males existem? Por que Deus permite tais condições, sabendo de antemão que acontecerão, e sendo possuidor do poder de impedi-los? Antes de tudo, por que ele permitiu que o mal entrasse no universo, se Deus é inteiramente bom, e se faz parte de nossa teologia o fato de que Deus tem o poder de governar conforme ele quiser, assim podendo impedir completamente a entrada do mal? E, finalmente, por que Deus permite que essas condições subsistam?

5. Sob hipótese alguma podemos pensar que Deus é o autor do mal; mas para muitos, o próprio fato de que ele permitiu que o mal entrasse no mundo, através da vontade pervertida, angélica ou humana, mostra-nos que deve haver algo mais importante para Deus realizar do que meramente impedir que a sua criação ficasse maculada pelo mal.

6. Tanto os seres angelicais como o homem foram feitos dotados de livre-arbítrio, o que significa que têm a potencialidade de se inclinarem para o mal. E essa potencialidade foi que deu margem ao fato. O fato do mal é assim atribuído à queda, angelical ou humana.

7. Deus percebeu que o mal se aproximava, sendo presciente, então, por que não o impediu. Pelo menos no caso do homem podemos atribuir uma razão pela qual Deus não impediu o mal: A fim de que o homem seja levado à transformação segundo a imagem de Cristo, é mister que seja um ser totalmente livre, porquanto essa é a natureza de Cristo, outrossim, o homem não poderia ser bom obrigatoriamente e, sim, por escolha própria; também teria que aprender a fazer essa escolha voluntariamente, sabendo que o bem é sempre melhor que o mal. Só assim o homem poderia vir a ser perfeito, escolhendo pela dura experiência o bem por seu próprio valor. Isso explica, pelo menos em parte, por que Deus permitiu a queda do homem, embora não tivesse sido o seu causador. Esse elevado alvo do homem é mais importante para Deus do que impedir a entrada do mal no mundo.

8. Segundo o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Tomo 4, pág. 305, a palavra mal é aqui empregada não no sentido do mal moral, mas como sinônimo das dificuldades que surgem fora da pessoa ( a exemplo de Isaías 47:11 ). Diz-no também o Comentário, que nas Escrituras, muitas vezes se apresenta a Deus como causador daquilo que Ele não impede, citando como exemplo II Crônicas 18:18.

9. Diz-nos Ellen White em O Grande Conflito, ed., padrão, págs. 492,493:
“Nada é mais claramente ensinado nas Escrituras do que o fato de não haver sido Deus de maneira alguma responsável pela manifestação do pecado; e de não ter havido qualquer retirada arbitrária da graça divina, nem deficiência no governo divino, para que dessem motivo ao irrompimento da rebelião. O Pecado é um intruso, por cuja presença nenhuma razão se pode dar... O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu.”



10. Alguns teólogos supõe que o mal nada mais é do que o contrário do bem, portanto apenas uma mutação ou distorção do bem criado por Deus. Há elementos de verdade nessa idéia, apenas, devemos tomar cuidado com esta interpretação, para não limitarmos o bem que é originado em Deus, do qual quase nada conhecemos, haja visto, a entrada do pecado ter impedido de que vivêssemos mais próximos de Deus e dEle auferíssemos toda a eternidade, a bondade, o conhecimento, etc. que Ele nos deseja dar. Por isto, o pecado tornou-se em um intruso, que estava previsto por Deus, embora não fosse Ele o causador do mal.

11. Quando olhamos sob esta ótica , percebemos que Satanás, de fato não poderia criar o mal, pois seria ele também um criador, ainda que negativo. Se o único criador é Deus e ele criou o pecado, então só podemos entender o mal como o desvirtuamento, a mal interpretação, a mutação de parte daquilo que Deus denomina bem. Por esta causa o mal é tão infinitamente inferior ao bem e por este último será vencido, embora o mal seja imediatista e desonesto, apelante mesmo, quando Deus apenas joga pelas regras, Satanás não conhece regras nem limites em sua deslealdade.

12. Mas, o mal é tão infinitamente inferior ao bem real que diz-nos a Bíblia, que onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Em Sua infinita providência, Deus criou o bem, sabendo que Satanás o perverteria , apresentando uma versão desfigurada, denominada mal, e, embora permitindo que tal fato acontecesse o fez por amor de nós, para que ao conhecer a verdade ( o que de fato é bom para nós, o plano de Deus ou o plano de Deus desfigurado pelo diabo ) pudéssemos ser verdadeiramente livres. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. João 8:32, 36. Deus tolerou o mal para finalmente sermos livres de qualquer engano.

Bibliografia:

1. Comentário Bíblico Adventista del Séptimo Dia, TOMO 4, pág. 305.
2. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, R. N. Champlin e J .M. Bentes, Verbetes: Mal, Origem do Mal e Problema do Mal, vols. 4 e 5.
3. O Grande Conflito, ed. Padrão, págs. 492,493.

Estudo preparado pelo pastor Carlos Melo de Castro.
Belo Horizonte, 07 de outubro de 1997.