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A FAMÍLIA E O REVERSO

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O que aconteceu com a família?

Ainda está bem vívida em nossa mente a tragédia do avião da TAM nas proximidades do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A causa de tudo foi a falha humana em não saber lidar com a avaria do reverso, um dispositivo que acionado no pouso, faz com que a força das turbinas seja usada em sentido contrário, uma espécie de freio aerodinâmico.
Que ligação pode ter a tragédia deste vôo com a família atual? Percebi esta ligação quando estava lendo o livro Educar do religioso e filósofo canadense Paul-Eugène Charbonneau. Dizia ele já no início do livro:
“Ainda recentemente a família era tudo que havia de mais firme; há apenas algumas décadas, teríamos apostado nela com toda a segurança, e eis que de repente, os solavancos que abalam até mesmo os alicerces do nosso mundo também a atingem. Em todas as bocas surge atualmente uma interrogação que preocupa os espíritos que têm a coragem de replanejar os desmoronamentos da civilização que acontecem diante de nós: a família estará no fim? Terá chegado o momento em que as estruturas familiais, que fizeram a glória dos últimos séculos e foram cantadas pelos poetas, festejadas pelos moralistas, defendidas com argúcia por todos os juristas, encontram-se em processo de desaparecimento?”. Educar, Círculo do Livro, s/d, 17.
Sem levar em conta a linguagem filosófica e por vezes de difícil compreensão das obras de Charbonneau, notamos a verdade que esta afirmação revela. Não significa que ele foi o primeiro a perceber a realidade da família contemporânea. Não. Da mais sofisticada mansão até o humilde barraco de lona dos desabrigados esta realidade é sentida, ainda que sem ser expressa na linguagem rebuscada de homens como Charbonneau . Sim, todos sabemos disso e não precisamos de palavras difíceis, acadêmicas e filosóficas para senti-lo, entretanto a verdade acerca do que ele diz nos leva imediatamente ao raciocínio. É de fato o fim da família? Podem os seus inimigos começarem a escrever o epitáfio( mensagem sobre o túmulo) que lhe pretendem dedicar, uma vez que já lhe predizem a morte?
Sendo Paul-Eugène um religioso, suas interrogações são fruto de uma preocupação antes que uma pergunta irônica que é tão comum aos que gostam das tragédias. Estes sim, se deliciam com o declínio da instituição familiar e de sua aparente extinção.
Vejamos: ainda recentemente o congresso nacional se deparou com duas matérias na pauta de votações. Uma delas, posteriormente sancionada pelo presidente Fernando Henrique, tornava legal as uniões estáveis de um homem e uma mulher , mesmo sem a realização do casamento civil, o que na prática já existia se um casal vivesse maritalmente por mais de cinco anos. Aparentemente esta foi uma vitória da família, todavia, quanto mais informal se tornar a união de um casal tanto maior serão as razões para escapar de uma responsabilidade de fato e não apenas de ato. Ainda outra tentativa de autoria da deputada Marta Suplicy , ousava pedir a aprovação constitucional para e conceder direitos “conjugais” a pessoas do mesmo sexo que pretendessem viver maritalmente. Estes e outros ataques, somam-se aos já conhecidos: drogas, imoralidade, falta de tempo, questionamento de autoridade, etc. sempre estarão sendo dirigidos para a família. Por que? Por que a família é alvo de tamanha ferocidade de seus inimigos: seres , coisas ou filosofias?
A resposta, já a encontramos no relato da criação. A estabilidade da família seria o ambiente para se desenvolver uma comunhão com o Criador e o inimigo não poderia permitir isso. Aparentemente a história relatada em Gênesis 3 está cheia da inocência e credulidade cristãs. Afinal, uma história envolvendo a serpente que seduz uma mulher apenas pelo desejo do fruto proibido, parece ser muito simples, infantil. Contudo, a serpente e o fruto proibido ainda existem. É claro que adaptada à nossa capacidade individual de desejar com egoísmo aquilo que não nos pertence. O fruto proibido ainda continua, porém, revestido de uma roupagem adaptada à ambição humana. A luta pela destruição da família é antiga e ao mesmo tempo é moderna, e ela haverá até o fim quando Deus extirpar o instigador do egoísmo. Dizem que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas não é verdade. O egoísmo é a raiz de todos os males! O inimigo continua com a mesma estratégia: o engano. Sua arma favorita? Despertar em mim e em você o egoísmo, o desejo de satisfazer-se, de pensar em si, de auto-realizar-se. Às favas com os outros, esta é a máxima do egoísmo. Voltemos à tragédia daquele vôo da TAM:
Quando o reverso abriu inesperadamente os pilotos deveriam ter primeiro estabilizado o avião usando apenas uma turbina, sem forçar a outra, antes de pousá-lo novamente para reparos. Mas eles forçaram as duas turbinas e o avião perdeu a estabilidade e altura até espatifar-se contra o solo. Falta de perícia, incapacidade de agir em situações imprevistas.
Em todo este emaranhado de intrigas que acontecem dia-a-dia desde o palácio presidencial ao lar do humilde catador de papel, o cristianismo vem abrir o reverso, mas não no momento errado, não para uma fatalidade e sim para evitar a colisão final que destruirá totalmente nossa família. É a mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo a única e última esperança para a colisão no final da pista. Os freios normais podem diminuir a velocidade, mas não podem parar a aeronave. Se não fizermos do Evangelho uma realidade vívida e prática, nosso lar não suportará as pressões de seus inimigos. Precisamos abrir o reverso em nosso lar! O Evangelho aplicado da forma correta e no momento adequado pode impedir verdadeiras tragédias familiares. O bom uso dos ensinamentos de Jesus, sem extremismos proporcionarão felicidade e equilíbrio a qualquer lar, não importa sua condição social. Dizem os pilotos que todo vôo é bom quando todos descem vivos no aeroporto. Toda família que viaja para a felicidade terá um bom vôo se todos os seus membros aportarem na Canaã Celestial. É preciso chegar ao final da pista ... inteiros! Façamos da mensagem do Evangelho o reverso que impedirá uma tragédia no final da pista!